“Empezar un Mundo, Subir a una Cumbre” é um workshop de criação performativa orientado pelo dramaturgo e criador de teatro espanhol Alberto Cortés, que convida a pensar a criação como ato de visão e risco. Durante o workshop, propõe escalar cumes invisíveis, dar corpo ao que ainda não existe e investigar formas alternativas de construir mundo – não com tijolos ou certezas, mas com palavras, gestos e afetações.
A partir de práticas desenvolvidas ao longo dos seus últimos projetos, Cortés trabalha com a ideia de mundo como construção poética e política. A sua abordagem queer à performance recusa o previsível e instala-se na intimidade partilhada, na relação com o espetador como cúmplice e amante, na escuta do que está por vir. “Começar um mundo” não é levantar um edifício, mas abrir uma fenda. Subir a um cume não é alcançar um topo, mas encontrar novas formas de ver.
Neste workshop intensivo, ao longo de dois dias, os participantes são convidados a experimentar ferramentas cénicas que operam entre o visível e o invisível, entre o real e o imaginado. Trata-se de um espaço de descentralização: de métodos, referências e de estruturas normativas.
Alberto Cortés, um dos artistas mais destacados da cena espanhola, propõe explorar uma prática de deslocamento: um desvio radical do conhecido, rumo à criação como impulso de encantamento. Um convite a criar o mundo com as mãos vazias e os olhos bem abertos.
BIOGRAFIA
Alberto Cortés nasceu em Málaga em 1983. Encenador, dramaturgo e intérprete das suas próprias criações, Alberto licenciou-se em Direção Teatral e Dramaturgia na ESAD de Málaga, assim como em História da Arte pela Universidade de Málaga.
O seu caminho para o teatro não foi movido pelo amor, mas pela procura de respostas a várias questões da sua juventude. Em 2009 iniciou o seu percurso teatral com uma dramaturgia periférica e inconformista que, ao longo do tempo, se foi tornando cada vez mais indomável na procura de uma liberdade que continua a escapar-lhe. Desde então, não parou de se cruzar com criadores, mentores e amigos que inspiraram o seu percurso, produzindo obras em vários formatos e disciplinas, num esforço para manter a fé no intangível, no misterioso e no humano. O seu trabalho tem evoluído ao longo dos anos através do teatro, da dança, da performance e também das tradições populares, do flamenco e das criações site-specific. Colabora com outros criadores na encenação e dramaturgia e organiza workshops concebidos como encontros em que partilha as ideias e a investigação que informam a sua prática. A certa altura, a sua trajetória artística convergiu com a ideia de entender o palco como um espaço de desejo e explorar a ligação romântica entre o intérprete e o público.
Obras suas como El ardor (2021) e One Night at the Golden Bar (2022) foram amplamente apresentadas em diferentes teatros e festivais em Espanha, como Festival de Otoño (Madrid), Festival Dansa Valencia, Festival Ibero-americano de Cádiz, FIBA - Buenos Aires, Teatro Central de Sevilla, Centro Cultural Conde Duque, o Festival TNT, entre muitos outros. Se One Night at the Golden Bar foi selecionado como um dos 10 maiores espetáculos de Espanha em 2023, com a sua última produção, Analphabet (2024) em colaboração com a violinista Luz Prado, Alberto Cortés converteu-se num dos criadores mais destacados do panorama das artes cénicas contemporâneas do seu país.