Através de “Os Rapazes da Praia Adoro”, o público é convidado a revisitar os processos artísticos de Alberto Cortés & João Gabriel que, a partir de um convite conjunto da BoCA e do Teatro do Bairro Alto, e durante a 5ª edição da bienal, nos apresentaram uma praia onde desejo, memória e ficção se entrelaçam, convocando um encontro entre geografias, línguas e corpos.
Depois do convite feito a Alberto Cortés e João Gabriel, a primeira e fundamental questão que surgiu foi como é que poderiam os dois artistas - entre as artes performativas e as artes visuais - encontrar um lugar comum de expressão. Rapidamente esse lugar ganhou nome e geografia, dando origem a “Os Rapazes da Praia Adoro”, uma praia imaginada entre Lisboa e Madrid, onde o desejo, a memória e a ficção se encontram para colocar frente a frente geografias, línguas e corpos.
Nestas imagens, que nos contam como foi a residência de ambos até à materialização do espetáculo estreado em Madrid e Lisboa, ouvimos o retrato de um encontro entre um português e um espanhol que se aproximam num espaço suspenso, a igual distância de ambos os países, como se a praia pudesse ser ao mesmo tempo fronteira e abrigo ou, até, travessia. Entre erotismo e vulnerabilidade, encontramos o universo queer de Alberto & João explanado numa obra em que um lugar inscreve histórias pessoais, tensões políticas e a possibilidade de uma comunidade por vir.