“Terra Cobre” é uma nova criação encomendada pela BoCA ao músico e escultor João Pais Filipe e ao coreógrafo e bailarino Marco da Silva Ferreira. Nasce e expande-se a partir da vila de Alcáçovas (Alentejo), num processo criativo que cruza a arte chocalheira tradicional de Alcáçovas – método ancestral de um processo de fabrico manual – com práticas artísticas contemporâneas, ancoradas na percussão e na dança.

Tendo os chocalhos sido uma prática que a UNESCO declarou em 2015 como Necessidade de Salvaguarda Urgente, e sendo reescritas de simbologias uma característica de Pais Filipe e de Silva Ferreira – quer do universo da dança quer do universo da escultura e do som – “Terra Cobre” desafia a iconografia e simbologia tradicional portuguesa para a colocar num patamar exploratório e sensorial. O projeto aprofunda uma investigação em torno de um dispositivo que oferece premissas sonoras e coreográficas assentes no património material, questionando as propriedades históricas e culturais destes objetos.

João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira já puderam marcar presença, individualmente, em edições anteriores da BoCA. Em 2019, a BoCA propôs a primeira exposição de gongos a João Pais Filipe, “Voluta”, que se apresentou na Casa do Volfrâmio / Mosteiro de Tibães.  No mesmo ano, em Lisboa, Marco da Silva Ferreira foi protagonista de “Silent Disco”. É curioso constatar como o som, o ruído e o silêncio ocupam o imaginário de ambos os artistas, sob diferentes camadas de interesse e materialidade, que agora juntamos para esta nova criação em 2023.

 

Criação e interpretação: João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira
Som: João Monteiro
Coordenação técnica: João Monteiro
Produção executiva: Ana Ademar, Hugo Alves Caroça, Mafalda Bastos
Encomenda e produção: BoCA – Biennial of Contemporary Arts
Co-produção: Futurama, P-ulso
Residências artísticas: O Espaço do Tempo, Fábrica de Chocalhos Pardalinho

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