Uma oficina de voz é um espaço onde se trabalham as vozes, ou seja, onde o ar e a sua alma são esculpidos. As vozes são um produto constante dos corpos, e as atravessam em tubos de ressonância compostos, também, de fluxos, líquidos e um sem fim de fluidos diferentes. Cada ser humano é composto por dezenas de vozes que constituem uma grande variedade de identidades. Assim, neste workshop, o músico “ex-flamenco” Niño de Elche propõe que entendamos as vozes mais como uma mentira facilitadora do que uma verdade pura e autêntica.
Há vozes partidas, quebradas, rasgadas, limpas, sujas, mas também cansadas, suadas, exaustas, vivas. Vozes como um diálogo entre o interior e o exterior, entre o eu mais profundo e o que é construído a partir do comum. Vozes como um fenómeno materialista, mas, também, como um feito espiritual. As vozes que soam e as vozes que são imaginadas podem ser as mesmas, desde que nos reconheçamos nelas. Uma voz ao longe supõe sempre uma escuta em suspenso do que está para vir. Escutemo-la?

BIOGRAFIA

Niño de Elche (Elche, Espanha, 1985. Vive em Madrid, Espanha) é um artista indisciplinado e ex-flamenco que consegue combinar, nas suas diferentes propostas artísticas, géneros como o flamenco, a improvisação livre, o krautrock ou a música eletrónica, eletroacústica ou contemporânea com a poesia, a performance, a dança ou o teatro.
O caráter híbrido da sua obra revela-se na heterogeneidade das propostas a que é capaz de responder como artista e músico. Desde a sua participação na documenta 14 com o espetáculo “La farsa monea”, ao lado dos artistas Pedro G. Romero e do bailarino Israel Galván, até à sua colaboração musical com grupos como Los Planetas ou C. Tangana. Também participou em filmes como “Niños somos todos”, do realizador Sergi Cameron, e escreveu ensaios autobiográficos. Vale mencionar, ainda, o álbum “Voces del extremo” (2015), o projeto “Antología del cante flamenco heterodoxo” (2018) e a instalação “Auto sacramental invisible” no Museo Reina Sofía (Madrid, Espanha), uma performance sonora baseada no fotógrafo José Val del Omar, onde se observa o interesse do artista acerca da investigação e reconstrução históricas. Recebeu o Prémio Gaudí para Melhor Música Original (2021), entre outros.

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