Na cosmovisão Huni Kuin, a eficácia do remédio, ritual ou alimento está intimamente associada com a força do “performer”, que entoa diferentes cantos enquanto evoca as plantas, histórias e existências específicas em cada uso. Neste workshop, o coletivo propõe uma experiência imersiva que se relaciona com a cultura musical do seu povo, pensando a voz e a melodia enquanto veículos e instrumentos para agir no mundo, constituir corpos e viver bem. Partindo de uma contextualização teórica acerca desta prática tradicional, o grupo convida os participantes a integrar o ritual Hampaya, rito para a iniciação dos artistas em cantos tradicionais. Num modelo adaptado para a introdução desta prática a pessoas não-indígenas e de outras comunidades, propõe-se iniciar com a prova de pimenta – método para “abrir” a voz – e com o Txaná – pássaro que imita o canto de todos os outros pássaros, para que este auxilie cada um a cantar, falar e manifestar a sua própria arte.

 

BIOGRAFIAS

Zenira Neshane Huni Kuin

Zenira Neshane é filha de Maria Sabino Huni Kuin e Sabino Ixã Huni Kuin, duas importantes lideranças do povo Huni Kuin. Neshane aprendeu desde cedo com a sua mãe sobre artesanato, grafismo, culinária e os saberes das mulheres dentro da tradição do seu povo. Além de mestra e artesã, é uma das poucas mulheres Huni Kuin reconhecidas como “pajé”, pois carrega muitos conhecimentos sobre as práticas de medicina tradicional do seu povo. Neshane é também precursora do movimento feminista Huni Kuin, sendo uma das primeiras mulheres da sua terra indígena a sair do território, conduzindo oficinas e atividades de intercâmbio cultural em diferentes estados do Brasil e do exterior.

Sabino Dua Ixã

Sabino Dua Ixã é um ancião Huni Kuin que atua como liderança política e espiritual. Viveu e trabalhou no seringal, participou ativamente da luta pelo direito de demarcação das suas terras e estudou com grandes pajés para se tornar um dos maiores mestres do Huni Meka (canções cerimoniais) do povo Huni Kuin. Sabino vive com toda a sua família numa das aldeias mais distantes do Alto Rio Jordão, local onde chegam pouquíssimos bens de consumo da cidade e onde se mantém uma profunda comunicação com o território.

Txaná Nixiwaka

Txaná Nixiwaka Huni Kuin é de uma jovem geração de Txanás, ou artistas pajés, da aldeia mais distante do Rio Jordão. Desde a infância, dedicou-se ao estudo da canção tradicional, pintura e desenhos relacionados à tradição do seu povo. É casado com uma das netas de Sabino Dua Ixã, de quem é aluno, e foi por ele convidado a sair pela primeira vez da sua aldeia para representar a sua comunidade.

Mediação, Pesquisa e Produção

Rodrigo Moreiras

Rodrigo Moreiras é psicólogo pela PUC-Rio e mestre em Arqueologia pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro. Trabalha com o povo Huni Kuin há 16 anos, através de projetos de saúde indígena, autonomia financeira, infraestrutura, etnoturismo e intercâmbio cultural. É fundador do coletivo Guardiões Huni Kuin do Rio de Janeiro e do Instituto Guardiões da Floresta, onde atua como diretor científico, organiza experiências de intercâmbio cultural em diferentes países e coordena o projeto Expedição Huni Kuin. Também trabalha, clinicamente, relacionando o conhecimento da psicologia aos saberes de povos originários em diferentes processos terapêuticos individuais e coletivos.

Mariana Carvalho

Mariana Carvalho é produtora cultural e educadora, com pesquisa em educação indígena, pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. Trabalha com o povo Huni Kuin há 16 anos por meio de projetos relacionados à educação indígena, intercâmbios culturais, infraestrutura e autonomia financeira. É fundadora do coletivo Guardiões Huni Kuin do Rio de Janeiro e do Instituto Guardiões da Floresta, onde atua como vice-presidente, coordena o programa de intercâmbio cultural do instituto, o projeto Expedição Huni Kuin e coopera para a melhoria nas condições de infraestrutura das aldeias da terra indígena do Rio Jordão.

Consultoria, Mediação e Curadoria

Ana Rocha

Ana Rocha, coreógrafa, curadora e performer, faz mediação na área da cultura e das artes há 23 anos. Ana opera em campos de multiplicidade e diversidade cultural, relacionando pontos de reflexão e transição a partir do acompanhamento e consultoria em instituições, organizações sem fins lucrativos, coletivos artísticos e criadores nacionais e internacionais. É formada em Artes Visuais e História da Arte e doutoranda em Ecologia Humana na Universidade Nova de Lisboa.

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