Workshop de performance e artes visuais
“Fenómenos da sociedade e distância crítica e artística”

Chocou o mundo nos anos 90 ao realizar a performance “A reencarnação da Santa ORLAN”, uma série de nove cirurgias plásticas que foram transmitidas via satélite para diversos museus e galerias de arte da Europa. ORLAN inspirou-se na Vénus de Botticelli, para mudar o queixo, na Mona Lisa para mudar a testa e na Europa de François Boucher para mudar os lábios, para além de implantar chifres nas laterais da testa. Um corpo constantemente invadido e manipulado pela violência da opressão heteronormativa, que deseja controlá-lo, e por biotecnologias, que desejam modela-lo à luz de padrões estéticos. Hoje, trinta anos depois, naturalizámos as alterações de identidade sobre os nossos corpos, mas através de filtros digitais e outros meios tecnológicos que não inscrevem transformações profundas na carne.
Durante as operações, apesar da anestesia, ORLAN mantinha-se consciente e misturava crânios, frutas e legumes no cenário, lia textos ou fazia desenhos com os dedos e o seu próprio sangue: “Eu queria falar sobre o quanto se maltrata o corpo das mulheres. (…) Fui muito radical, todos pensam que sou um monstro”.
ORLAN é uma das mais importantes artistas francesas, autora do manifesto “A Arte Carnal”. Usa a escultura, a fotografia, a performance, o vídeo, o 3D, os videojogos, a realidade aumentada, a inteligência artificial e robótica, além de técnicas científicas e médicas, como a cirurgia e a biotecnologia, para questionar fenómenos sociais do nosso tempo. A artista enaltece a liberdade do corpo e de si própria, com obras que são protestos contra os paradigmas sociais e os padrões de beleza.
A convite da BoCA, neste seu primeiro workshop em Portugal, ORLAN propõe que cada participante escolha um aspecto da sua obra que queira explorar, para desenvolver uma proposta artística relacionada com um fenómeno da sociedade.
ORLAN questiona o status do corpo na sociedade através de todas as pressões sociais, culturais, tradicionais, políticas e religiosas que estão inscritas na carne, nos corpos e particularmente nos corpos das mulheres. Assim, ao longo de três dias, cada participante situará e desenvolverá a sua própria abordagem artística a partir de conceitos identificados na obra de ORLAN.

 

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