François Chaignaud (1983) é um artista que utiliza a dança, a performance e o canto como ferramentas para criar obras performativas onde a sua exuberância, metamorfose e rigor operam como um todo. Chaignaud,”a ave rara da dança francesa”, como escreveu o jornal Público, colabora desta vez com a música Marie-Piere Brébant, para desenvolver uma nova performance/instalação musical que tem a sua primeira apresentação na BoCA.

Aproximam-se, deste modo, de um sonho: o de tocar ao vivo a integralidade das obras musicais de Hildegarda de Bingen (1098-1179): “É o sonho de transformar a interpretação desta música num desafio, numa viagem,numa instalação; aquela de deixar sair dos manuscritos do século XII um happening, uma performance duracional”, dizem. Em Lisboa, para a primeira etapa deste desafio de longa duração, utilizarão as primeiras 6 antífonas das 69 melodias compostas por Bingen na sua “Sinfonia de harmonias celestes”. Apresentadas em loop, as peças serão objecto de construção de uma performance estática e coreografada, lancinante e imprevisível, cantada, dançada, fantasiada e instrumentada. Porque é uma mulher, porque utiliza esta linguagem musical, muitas vezes arcaica e livre, Hildegarda de Bingen coloca as suas visões ao serviço de uma relação fervente e carnal com o divino. Dispostas no salão nobre do Teatro Nacional São Carlos, estas melodias de Bingen operam como uma chamada e uma perturbação: elas tornam audível a arqueologia esquecida, muda, musical e simbólica do edifício, tal como perturbam os cânones estilísticos e culturais presentes na instituição. François Chaignaud e Marie-Piere Brébant fazem uma interpretação visual e musical para voz e bandura, instrumento que evoca tanto a metálica ascese da cítara quanto as vibrações celestes da harpa.

Co-criação e interpretação François Chaignaud e Marie-Pierre Brébant
Música Hildegarda de Bingen
Produção BoCA
Co-produção Teatro Nacional São Carlos, Villa Noailles, Vlovajov Pru
Apoio à apresentação Instituto Francês/Embaixada de França em Portugal – Apoio no âmbito do foco sobre a criação contemporânea francesa em 2017

 

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