Portugal | Performance | Nova criação

 

O artista como medium. O corpo como território de revelação espiritual. A performance como experiência ritualística de acesso a outros estados de consciência. Mariana Tengner Barros, na sua experiência como bailarina/performer e coreógrafa, descobriu-se como “uma espécie de mediadora de mensagens através do próprio corpo, da voz, dos seus intérpretes, mensagens associadas a ideias, sensações, emoções”. Cada vez mais consciente da magnitude deste papel, interessa-se por recuperar o lado mediúnico da sua prática. Sem querer colocar etiquetas, a artista concebe “Séance”, uma performance que parte dos princípios da sessão espírita, ou séance. Nesta pesquisa descobre a teatralidade implícita no dispositivo, que permite aceder a diferentes graus de “interpretação”, de manifestação do transe.
Mariana Tengner Barros navega entre o artificial e o genuíno, transgredindo as suas possíveis formas, introduzindo a ambiguidade entre o real e a ficção.  “Séance” é uma performance intimista, para 3 a 10 espetadores de cada vez, em sessões únicas e contínuas com duração de 30 minutos. Mariana Tengner Barros mergulha esteticamente na era Vitoriana, buscando referências no movimento Espírita, que surgiu no séc. XIX, simultaneamente com o movimento feminista e como reação à revolução industrial, ao mesmo tempo que constata a permanência neste século XXI do desejo forte pelo paranormal e sobrenatural. O corpo surge assim como veículo para aceder às “mensagens”, ao discurso histérico. Mediadora, intimista e diferente em cada sessão de 30 minutos, esta performance é como um shot que nos transporta para um mundo paralelo, pela mão de uma das mais interessantes artistas das artes performativas portuguesas.

 

Direção artística e interpretação Mariana Tengner Barros
Consultoria artística e textos Nuno Miguel
Sonoplastia Jonny Kadaver
Figurinos Inês Monteiro de Barros Tavares
Styling Ana Sousa
Adereços Inês Monteiro de Barros Tavares e Mariana Tengner Barros
Fotografias Bruno Simão
Direção técnica Daniel Oliveira
Produção A Bela Associação
Co-produção ZDB, BoCA

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  • Cattivo

    18 fevereiro 2020 — 23 fevereiro 2020
    São Luiz Teatro Municipal, Lisboa

    MARLENE MONTEIRO FREITAS

    Na edição BoCA 2019, a bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas transgrediu a sua prática e criou “Cattivo”, a sua primeira (mega) instalação composta por centenas de estantes de partitura, que são exploradas até ao limite das suas propriedades expressivas. Assistimos à capacidade de encarnarem estados emocionais e de tomarem decisões, manipulando-se a si mesmas e a outros objetos. Agora é a oportunidade única de descobrir a adaptação desta criação ao SLTM.

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