A obsessão não é de agora, já estava presente nas peças anteriores que procuram empenhadamente o humano no corpo, hoje tendencialmente coberto de excessos, onde riqueza e velocidade surgem como sinónimos que ameaçam a construção de identidades com consciência de cidadania. É uma parte da estética e da ética do desaparecimento que domina a contemporaneidade.

O corpo é o primeiro manifesto que afirma a impossibilidade de fazer do gesto teatral um acto neutro, inscrito num mundo que herdou as maiores atrocidades infligidas ao homem pelo homem, e que não aprendeu com os seus actos, caminhando para um abismo onde novamente o valor da vida humana está posto em causa e novos holocaustos se antevêem no horizonte de um futuro possível. Estas questões eram visitadas já na trilogia que John Romão dedicou a Pasolini – “Teorema” (2014), “Pocilga” (2015) e “Pasolini is me” (2015).

Em “Que difícil é ser um deus” o ‘desaparecimento’ é referente ao corpo, enquanto camuflagem ou dissimulação. O apurar de técnicas de desaparecimento associadas ao desenvolvimento do complexo industrial-militar-científico domina o quotidiano. O que hoje ocorre é o desaparecimento do lugar e do indivíduo ao mesmo tempo. O desaparecimento do indivíduo dentro do seu próprio corpo? Ou a dissimulação do corpo por via do desaparecimento do indivíduo?

 

Direção John Romão
Cocriação John Romão & Romeu Runa
Performer Romeu Runa
Colaboração sonora Tiago Cerqueira
Operação de drones André Gomes e Luís Graciano
Produção Colectivo 84
Assistência de produção Vanda Noronha
Apoios Fundação Calouste Gulbenkian, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Galerias Municipais / EGEAC
O Colectivo 84 é uma estrutura financiada pelo Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes

 

Biografia

 

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