“O Barco / The Boat”

 

Grada Kilomba é desobediência poética, é a conjugação permanente em todos os tempos e artes do verbo descolonizar. Grada Kilomba é uma artista multidisciplinar portuguesa, autora do emblemático livro “Memórias da Plantação: Episódios do Racismo Quotidiano”. No biénio 2021-2022 da BoCA, é uma das Artistas Residentes.

“O Barco / The Boat” é uma instalação da artista Grada Kilomba, composta por 140 blocos, que formam a silhueta do fundo de uma nau e desenham minuciosamente o espaço criado para acomodar os corpos de milhões de africanos, escravizados pelos impérios europeus. 

No imaginário ocidental, um barco é facilmente associado à glória, liberdade e expansão marítima, descrita como “descobertas” mas, na visão da artista, “um continente com milhões de pessoas não pode ser descoberto” nem “um dos mais longos e horrendos capítulos da humanidade – a Escravatura – pode ser apagado.”  

Esta primeira instalação de grande escala de Grada Kilomba inaugurou junto ao Rio Tejo, na Praça do Carvão do MAAT durante a Bienal BoCA. A obra convida o público a entrar num jardim da memória, no qual poemas descansam sobre blocos de madeira queimada, lembrando histórias e identidades esquecidas. Que histórias são contadas? Onde são contadas? Como são contadas? E contadas por quem? São questões que se colocam ao entrar nesta instalação. 

Uma performance, protagonizada por artistas de música e dança afro-descendentes, com produção musical de Kalaf Epalanga, é apresentada na inauguração. 

 

Produção: BoCA
Co-produção: MAAT e Staatliche Kunsthalle Baden-Baden
Apoio à produção: ArtWork
Apoios à apresentação: Somerset House, Goodman Gallery

“O Barco/The Boat” é um projeto comissionado pela BoCA Bienal de Artes Contemporâneas 2021

 

 

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