Cuba | Instalação | Nova criação

 

Tania Bruguera está de regresso a Portugal com o seu poderoso activismo artístico, confrontando nesse gesto criador “o papel das emoções na política”. As suas principais preocupações são o poder institucional, as fronteiras e a migração. O seu trabalho abrange performance, eventos, cinema, instalação, escultura, escrita e ensino, para além de trabalhos site specific. A arte, para Bruguera, não é um acto neutro, propondo mudanças, também sociais e políticas, por vezes radicais, através das suas criações. Bruguera denomina esta abordagem de Arte Útil, em que as pessoas se envolvem como participantes, em vez de meros espectadores.
Depois de ter criado a sua primeira peça de teatro na BoCA 2017, “Endgame” – um dispositivo cilíndrico, constituído por andaimes, que os espectadores habitavam ao longo de 9 metros de altura, e cuja ação decorria no seu interior – , a artista regressa agora a Portugal para uma nova criação: a instalação “Narciso”, apresentando o seu trabalho pela primeira vez em Lisboa. “Narciso” evoca, no seguimento da sua recente intervenção na Tate Modern (Londres), a crise da migração e dos refugiados. Através do olhar de Tania Bruguera, esse movimento ganha a expressão de uma crise individual, centrada no corpo e na identidade de cada espectador: “Uma pessoa senta-se sobre uma escultura a observar o seu reflexo na água. Quando se aproxima da água para se ver a si mesma, o reflexo que encontra não é o seu mas o de uma pessoa imigrante”, escreve Tania Bruguera.
Para esta criação, Tania inspirou-se numa pergunta formulada por Alain Badiou no prólogo a “The Agony of Eros” do filósofo Byung-Chul Han: “É absolutamente certo que o único modo de opor uma concepção de alteridade consumista e contratual é abolir o ‘eu’ numa escala sublime e em-tudo-impossível, de modo a encontrar o ‘Outro’?” No mesmo livro, Byung-Chul Han afirma que para que o pensamento humano exista, “é preciso que a pessoa tenha sido amigo e amante” ou seja, que se tenha dado ao outro.

 

Biografia da artista

 

Produção BoCA
Co-produção Galerias Municipais EGEAC, Estudio Bruguera

VÍDEO
Com a participação de Larisa Tovmasyan, Omid Bahrami, Phylemon Mulanda
Agradecimento RefugiActo
Fotografia Miguel Canaverde
Câmera Pedro Mourinha
Apoios à produção Tworlds Productions, Waves of Youth
Programação MILL – Makers In Little Lisbon
Construção OXYD

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    O projeto homenageia, através da música contemporânea, uma das maiores artistas do século XX e XXI, Helena Almeida (1934-2018). Reunindo alunos da Escola Superior de Música de Lisboa, da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (Porto) e da Universidade do Minho (Braga), jovens compositores criam novas obras a partir da série homónima de H. Almeida. O resultado: um concerto que junta alunos das três universidades.

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