Rússia | Performance | Nova criação

 

Vasya Run é um coletivo russo anónimo, constituído por rapazes entre os 16 e 27 anos, da periferia de Moscovo, que mistura arte contemporânea, teatro, subculturas de rua e rituais de emancipação espiritual. Nasceram em 2014, na transposição literal de um texto escrito pelo graffiter russo Vasya, a partir da sua experiência de ter sido preso e condenado por vandalismo em Paris. A subversão e o arrojo da expressão artística surge logo em escolhas radicais e transgressoras que fundam a identidade do projecto: a proclamação do estatuto do artista anónimo, cuja identidade e rosto permanecem mistério, ao mesmo tempo que expressam um grito revolucionário atual, a partir da experiência pessoal de uma geração nascida no início dos anos 90, após o colapso da União Soviética. Vasya Run é um projecto que extravasa os limites da reflexão artística, cruzando influências diversas de artistas contemporâneos com uma juventude inconformada, desobediente, que recusa a invisibilidade e marginalidade das subculturas urbanas e exige ser ouvido e vivido.
“If you want to continue”, a sua nova performance, é comissionada pela BoCA e tem como conceito principal a figura do herói, que está associada a um estado “pós” o momento presente. Que tempo e espaço são esses, quando uma parte de nós se observa no futuro e a outra permanece ancorada ao agora? No centro, a provocação e o abalo do sistema. Para os Vasya Run, a raiz da arte que fazem, e o espírito de juventude que representam na sociedade que querem reformular, passa por algumas convicções que reafirmam nesta performance, como “Eu sou intrusão. Eu sou oposição. Se a figura é posta de parte – significa que é genuína”.
Através de ensaios, pesquisas de movimento, trabalhos de grupo e práticas espirituais baseadas no “Quarto Caminho” de George Gurdjieff, Vasya Run chegam pela primeira vez a Portugal com a estreia de uma nova criação. Fiéis à sua pesquisa, na procura de um eu genuíno, vândalos do conformismo social e artístico, trazem a revolução numa arte marginal que tem a força perturbadora de um arrastão. Quem são eles? Essa será apenas uma das muitas interrogações que não vão ser respondidas…

 

Produção: BoCA
Co-produção: Kampnagel (Hamburgo)
Apoio: Câmara Municipal do Porto, Slumdog Lisbon
Fotografias: Bruno Simão

 

Próximos Eventos

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  • Cattivo

    18 fevereiro 2020 — 23 fevereiro 2020
    São Luiz Teatro Municipal, Lisboa

    MARLENE MONTEIRO FREITAS

    Na edição BoCA 2019, a bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas transgrediu a sua prática e criou “Cattivo”, a sua primeira (mega) instalação composta por centenas de estantes de partitura, que são exploradas até ao limite das suas propriedades expressivas. Assistimos à capacidade de encarnarem estados emocionais e de tomarem decisões, manipulando-se a si mesmas e a outros objetos. Agora é a oportunidade única de descobrir a adaptação desta criação ao SLTM.

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