Nova Criação – Performance / Dança

E ainda assim nos movemos. A fragilidade enquanto potência, enquanto lugar poético, é o ponto de partida para uma performance que surge da vontade de deslocar o campo privado para o público. As coreógrafas e intérpretes Joana Castro e Maurícia Neves questionam e reconfiguram a relações entre ambas, tendo como base fotografias de arquivo pessoal de uma relação amorosa que encontrou o seu fim em outubro passado.

A imagem como lugar de projeção e de construção. A relação entre os corpos fotografados é reabitada ou talvez não, mas nesta experiência mutante entre o passado e o presente a perceção dessas mesmas imagens transforma-se e ganha novos contornos nos corpos das duas artistas. (des)(re)construindo-se noutras formas de existência, entre a efemeridade e a suspensão prolongada do gesto, a performance convoca um espaço de profunda intimidade e efemeridade que responde à velocidade do mundo lá fora.

O isolamento social a que foram sujeitas, redefiniu a fala, o olhar, o toque e as emoções. As artistas propõem-se a repensar as relações humanas, onde se inclui a própria relação com o público. “Uma peça auto-biográfica e política”, descrevem Joana e Maurícia, que dialoga entre o concerto, a dança e a performance.

Esta é a nova criação de duas artistas que têm vindo a colaborar continuamente desde 2018. Como defende Judith Butler: “o ‘eu’ não tem história própria que não seja também a história de uma relação – ou conjunto de relações – com um conjunto de normas”.

 

Conceção, direção, cenografia, paisagem sonora e performance: Joana Castro e Maurícia | Neves
Assistência e aconselhamento artístico: Pietro Romani
Desenho de luz: Vera Martins
Figurinos: Carlota Lagido
Residências artísticas: Nida Art Colony, Mala Voadora, Devir Capa, TRUST collective, c.e.m, Teatro da Voz, CAMPUS, Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, GrETUA, TEMPO
Apoio à criação: Self-Mistake e CTB – Companhia de Teatro de Braga
Residência de produção: O Espaço do Tempo
Residência BoCA: Estúdios Vítor Córdon
Co-produção: BoCA, Teatro das Figuras
Apoios: iPortunus, Fundação GDA, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro da Garagem

 

“and STILL we MOVE” é uma comissão da BoCA Bienal de Artes Contemporaneas 2021

 

Próximos Eventos

ler mais
  • A Tralha

    03 setembro 2021 — 05 setembro 2021
    Jardim do Museu de Lisboa

    CAPICUA

    "A Tralha" é um quase monólogo sobre acumulação. Um ensaio sobre o desperdício e a obsolescência em forma de narrativa pessoal. Uma reflexão sobre os objetos que nos rodeiam, que nos servem de extensão, que contêm as nossas memórias e que nos servem de interface com o mundo. Sobre os objetos que manipulamos e com os quais definimos as coreografias que inscrevemos no espaço e as nossas rotinas.

    +
  • O Barco/The Boat

    03 setembro 2021 — 17 outubro 2021
    MAAT

    GRADA KILOMBA

    Esta primeira instalação de grande escala de Grada Kilomba, que se estende junto ao rio por 32 metros de comprimento, na Praça do Carvão do MAAT, convida o público a entrar num jardim da memória, no qual poemas descansam sobre blocos de madeira queimada, lembrando histórias e identidades esquecidas. Que histórias são contadas? Onde são contadas? Como são contadas? E contadas por quem? São questões que se colocam ao entrar nesta instalação.

    +
  • Untitled (Wave)

    03 setembro 2021 — 17 outubro 2021
    Museu Nacional de Arte Antiga

    ANNE IMHOF

    “Untitled (Wave)” cria ressonância entre questões sobre o feminino, a adoração e a imaterialidade. Remete também para a história de arte, em particular o conceito de sublime, associado ao período romântico à contemplação da natureza, de paisagens inóspitas ou desoladas, que traduzem a escala de pequenez do indivíduo perante a grandeza do universo.

    +
  • Une vague joyeuse/Uma onda feliz

    03 setembro 2021
    FARO

    LUÍS LÁZARO MATOS

    “Une vague joyeuse” é um projeto de Luís Lázaro Matos cujo título advém da última cena do filme “Testamento de Orfeu” (1960) de Jean Cocteau, onde um carro descapotável percorre as curvas de uma estrada enquanto os seus passageiros gritam de alegria, indiferentes a dois polícias estacionados na berma.

    +
  • Plantação de 7.000 Árvores

    03 setembro 2021 — 31 dezembro 2021
    LISBOA, ALMADA, FARO

    PLANTAÇÃO DE 7.000 ÁRVORES

    “A Defesa da Natureza” é um projeto a 10 anos através do qual a BoCA propõe aliar a criação e programação artística à criação e programação dos espaços naturais. Inspirado na célebre frase de Joseph Beuys, "Todos podemos ser artistas", propomos à comunidade artística e à sociedade civil a plantação de novas criações (naturais e artísticas), que formarão uma floresta de milhares de artistas e de obras de arte.

    +
  • I Am the Mouth

    03 setembro 2021 — 17 outubro 2021
    Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea

    AGNIESZKA POLSKA

    Em “I Am the Mouth”, um par de lábios vermelhos meio submerso em água turbulenta, flutua enquanto repete frases calmantes, reenquadrando artisticamente o fenómeno viral de Internet conhecido por vídeos de ASMR (Auto Sensory Meridian Response) – sons gerados por materiais banais a raspar no microfone intensificados, tom de voz sussurrante que estimulam sensações agradáveis de formigamento e arrepio na nuca.

    +
  • Entre o Céu e a Terra

    04 setembro 2021 — 26 setembro 2021
    Praia da Bela Vista, Costa da Caparica (Almada)

    MÓNICA CALLE

    Em “Entre o Céu e a Terra”, Mónica Calle parte da escrita de Fiama Hasse Pais Brandão e desenvolve uma nova criação, a convite da BoCA, para um cenário natural: entre a praia e as dunas, na Costa da Caparica. Uma experiência intimista e desafiadora para 3 espectadores apenas por sessão.

    +
  • When All This Is Over, Let’s Meet Up! + Agents

    04 setembro 2021 — 17 outubro 2021
    Fábrica da Cerveja (Faro)

    ANASTASIA SOSUNOVA

    Através de um processo de distorção e entrelaçamento de elementos que pertencem a antigas mitologias, entidades híbridas e à sociedade de vigilância, Sosunova cria formas alternativas de "folclore contemporâneo". Explora novas narrativas e formas de vida que implicam regras, éticas, códigos e acordos entre os seres vivos.

    +
  • Quero ver as minhas montanhas

    05 setembro 2021 — 17 outubro 2021
    LISBOA, ALMADA E FARO

    SARA BICHÃO, DIANA POLICARPO, DAYANA LUCAS, GUSTAVO SUMPTA, GUSTAVO CIRÍACO, MUSA PARADISIACA, BERRU

    No ano em que se celebra o centenário do nascimento de Joseph Beuys (1921-1986), a BoCA cria o projeto “A Defesa da Natureza”, um projeto artístico colaborativo que promove novas criações artísticas e que é composto pela série "Quero ver as minhas montanhas", com curadoria de Delfim Sardo e Sílvia Gomes.

    +
  • Denominação de Origem Controlada

    05 setembro 2021
    Padrão dos Descobrimentos (Lisboa)

    GUSTAVO SUMPTA

    A série de performances no espaço natural “Quero ver as minhas montanhas”, com curadoria de Delfim Sardo e Sílvia Gomes, propõe aos artistas olharem o legado de Joseph Beuys, ao mesmo tempo que observam as suas próprias montanhas, ou o seu ‘eu’ interior.

    +
  • O Terceiro Reich

    09 setembro 2021 — 10 setembro 2021
    Museu Nacional dos Coches (Picadeiro Real)

    ROMEO CASTELLUCCI

    “O Terceiro Reich” é uma vídeo-instalação performativa baseada na representação espectral de todos os nomes. Todos os substantivos encontrados no dicionário italiano (aqui traduzidos para português) são projetados, em sequência, um a um, com uma velocidade autoritária que as esvazia do seu conteúdo e significado.

    +
  • Overlapses, Riddles & Spells

    09 setembro 2021 — 12 setembro 2021
    Centro Cultural de Belém

    ANDREIA SANTANA

    O modo como nos co-relacionamos ou como nos afetamos mutuamente, numa permanente interdependência, é um princípio que atravessa muitas das obras da artista visual Andreia Santana. “Overlapses, Riddles & Spells” é um projeto que contempla uma instalação inédita com obras de vidro e ferro, acompanhadas por duas projeções de vídeo.

    +