O músico e artista visual Pedro Sousa aventura-se no território da ópera. “A Vaia Viva” apresenta-se como uma ópera para uma voz e três máquina reel-to-reel, com composição originalmente desenvolvida por Pedro Sousa, adaptada do conto Las Babas Del Diablo (1959) de Julio Cortázar. A narrativa é contada com uma música em vários capítulos e apresentados em loop de fita magnética.

O texto, adaptado para um formato de ópera com a consultadoria e apoio de Rita Carolina Silva, é dividido em três movimentos distintos. O primeiro capítulo narra os eventos que Robert Michel descreve e assiste no jardim. O segundo capítulo descreve o retiro de Robert em casa enquanto revive os momentos assistidos e revela a foto que tirou no jardim. A terceira e última parte da ópera reflete a descida de Robert para uma espécie de estado de loucura ao tentar reviver e recriar os momentos assistidos na primeira parte da história, criando uma narrativa circular que beneficia das características estéticas e sonoras propostas em que a ópera assenta.

Neste conto, Roberto Michel, um tradutor cuja obsessão é a fotografia, observa um evento, inserindo-se no mundo como narrador e participante. Obrigando o espectador a questionar tanto a percepção do narrador em relação ao momento testemunhado, como a própria veracidade do real, a narrativa da ópera se desenvolve procurando expandir e ampliar pequenos excertos-chave descritivos da história.

Pedro Sousa estará a cargo de manipular a sua voz ao vivo, através do uso de eletrónicas, como delays, reverbs e outros efeitos, assim como manipular as máquinas reel to reel.

Direção artística: Pedro Alves Sousa
Cantora: Beatriz Maia
Manipulação sonora ao vivo: Pedro Alves Sousa
Desenho de luz: Rui Monteiro
Produção: BoCA – Biennial of Contemporary Arts
Parceria: Opart / Teatro Nacional São Carlos

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